Burnout: quando o cansaço emocional começa a impactar o coração

Fernando Figueira • April 30, 2026

Um esgotamento que não é só mental


Sentir-se cansado no fim do dia é esperado. O problema é quando esse cansaço deixa de ser pontual e passa a ser constante, quando descansar já não resolve e a sensação de estar sempre em alerta se torna parte da rotina.

O burnout surge exatamente nesse contexto. Reconhecido como uma síndrome relacionada ao trabalho, ele não aparece de forma abrupta. Vai se instalando aos poucos, muitas vezes silenciosamente, até que o corpo começa a dar sinais mais claros de que algo não está bem.

E esses sinais não ficam restritos à saúde mental.


O corpo também sente e o coração responde


O organismo humano não separa emoção de funcionamento físico. Situações de estresse ativam mecanismos de defesa importantes, com liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. Em momentos pontuais, isso é esperado. O problema é quando esse estado se prolonga.

Sob estresse crônico, o corpo permanece em um nível elevado de alerta. A frequência cardíaca se mantém mais alta, a pressão arterial pode se elevar e processos inflamatórios passam a ocorrer de forma contínua, ainda que em níveis baixos.

Ao longo do tempo, esse conjunto de fatores pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Estudos já associam o estresse crônico a maior incidência de hipertensão, alterações no ritmo do coração e eventos cardíacos, especialmente quando combinado a outros fatores como sedentarismo e alimentação desregulada.


Quando os sinais aparecem no dia a dia


O burnout raramente se apresenta de forma óbvia. Muitas vezes, ele começa com um cansaço persistente, uma dificuldade de concentração ou uma irritação fora do habitual. Com o tempo, esse quadro pode evoluir para um distanciamento emocional, perda de interesse pelas atividades e uma sensação constante de sobrecarga.


Do ponto de vista físico, não é incomum que surjam sintomas como palpitações, sensação de aperto no peito, falta de ar ou um cansaço que não melhora com o descanso. Na prática clínica, é frequente que pacientes procurem atendimento por esses sintomas sem associá-los ao contexto emociona, o que reforça a importância de uma avaliação mais ampla, que considere não apenas exames, mas também a forma como aquela pessoa está vivendo.


Cuidar da saúde também é rever o ritmo


Falar de coração não é falar apenas de procedimentos ou diagnósticos. É, sobretudo, falar de contexto.

Rotinas intensas, jornadas prolongadas, dificuldade de desconectar do trabalho e pouca qualidade de descanso fazem parte da realidade de muitas pessoas hoje. E tudo isso impacta diretamente a saúde.

Cuidar, nesse cenário, passa por reconhecer limites, algo que nem sempre é simples. Pequenas mudanças, como reorganizar horários, melhorar a qualidade do sono ou buscar apoio profissional, podem ter efeitos importantes quando mantidas ao longo do tempo.


Prevenção também passa por desacelerar



O burnout se tornou cada vez mais comum, mas isso não significa que deva ser normalizado. Identificar os sinais precocemente é uma forma de prevenção — não apenas de transtornos emocionais, mas também de doenças que podem afetar o coração.Em um contexto onde acelerar é quase uma exigência, desacelerar pode ser, na verdade, uma decisão de cuidado.

By Fernando Figueira April 30, 2026
Por muito tempo, a hipertensão foi associada quase exclusivamente ao envelhecimento. A ideia de que pressão alta é uma condição “natural da idade” ainda está presente no imaginário coletivo e isso tem consequências. O principal problema dessa percepção é que ela faz com que pessoas mais jovens simplesmente não se enxerguem em risco. Não medem a pressão, não se preocupam com sinais e, muitas vezes, só descobrem a condição quando ela já está instalada há anos. Hoje, esse cenário vem mudando. Um diagnóstico cada vez mais precoce Dados epidemiológicos mostram um aumento progressivo no número de adultos jovens diagnosticados com hipertensão. No Brasil, estimativas apontam que cerca de 1 em cada 4 adultos tem pressão alta e uma parcela relevante desses casos já aparece antes dos 40 anos. Esse crescimento não acontece por acaso. Ele acompanha mudanças no estilo de vida, como por exemplo, maior consumo de alimentos ultraprocessados, excesso de sódio na dieta, sedentarismo, pior qualidade do sono e níveis elevados de estresse. O que antes era mais comum em faixas etárias mais avançadas, hoje começa a aparecer mais cedo, muitas vezes de forma silenciosa. O risco de minimizar o problema Talvez um dos maiores desafios em relação à hipertensão seja justamente o fato de ela não causar sintomas evidentes na maioria dos casos. Sem dor, sem desconforto imediato, é fácil ignorar. E, entre os mais jovens, isso se soma à ideia de que “ainda não é a hora de se preocupar com isso”. Mas a pressão alta não deixa de agir por falta de sintomas. Ao longo do tempo, ela pode provocar alterações nos vasos sanguíneos e sobrecarregar o coração, aumentando o risco de eventos cardiovasculares no futuro. Quando o diagnóstico acontece tardiamente, muitas dessas mudanças já estão em curso. Idade não é proteção  Existe uma tendência perigosa de associar saúde apenas à juventude. Como se ser jovem fosse, por si só, um fator de proteção suficiente. Na prática, não é. A idade pode influenciar o risco, mas não elimina a possibilidade de adoecimento. Quando hábitos de vida desfavoráveis estão presentes, o organismo responde — independentemente da faixa etária. Ignorar isso é adiar um cuidado que poderia começar muito antes. Diferente de muitas condições, a hipertensão pode ser identificada com uma medida simples: aferir a pressão arterial. Ainda assim, esse é um hábito pouco incorporado por pessoas mais jovens. Muitas vezes, o contato com esse tipo de avaliação só acontece em situações pontuais — e não como parte de um acompanhamento regular. Ampliar essa percepção é um passo importante. Não se trata de antecipar preocupação, mas de incorporar cuidado. Falar de hipertensão hoje é, necessariamente, falar de prevenção em todas as idades. Isso envolve escolhas cotidianas, mas também acesso à informação e acompanhamento adequado. A hipertensão não costuma dar sinais claros, e é exatamente isso que sustenta a falsa sensação de segurança. Enquanto parece distante, ela pode já estar presente, evoluindo de forma silenciosa. Mudar essa percepção é parte essencial do cuidado.
By Fernando Figueira April 11, 2026
Durante muito tempo, o infarto agudo do miocárdio foi associado quase exclusivamente ao envelhecimento. A imagem clássica do paciente cardiopata ainda remete a indivíduos mais velhos, com histórico de doenças acumuladas ao longo da vida. No entanto, essa realidade vem mudando e de forma preocupante. Nos últimos anos, o Brasil tem observado um aumento consistente de infartos em pessoas jovens. Dados do próprio sistema de saúde mostram que as internações por infarto em indivíduos com menos de 39 anos mais que dobraram nas últimas décadas . Esse crescimento evidencia uma mudança importante no perfil da doença cardiovascular. Uma mudança silenciosa no perfil da doença O que antes era considerado um evento raro em jovens passou a ser cada vez mais frequente. Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares continuam sendo uma das principais causas de morte no país, e o avanço entre pessoas mais jovens já é motivo de alerta entre especialistas . Mais do que números, o que chama atenção é o padrão desses pacientes. Muitos não apresentam histórico clássico de doença cardíaca, o que reforça a ideia de que estamos diante de um novo perfil de risco. De acordo com levantamento divulgado pela Agência Brasil, cerca de um em cada quatro jovens já apresenta alterações como pressão elevada ou colesterol alterado antes dos 40 anos , muitas vezes sem diagnóstico . A matéria completa está disponível aqui: Estilo de vida leva jovens a apresentarem risco cardíaco O impacto do estilo de vida contemporâneo Esse novo cenário não pode ser explicado por um único fator. Ele reflete, principalmente, mudanças profundas no estilo de vida. Entre os principais pontos estão: Sedentarismo prolongado, especialmente associado ao tempo excessivo em telas Alimentação baseada em ultraprocessados Privação de sono Estresse crônico Uso de cigarros eletrônicos (vapes) Especialistas apontam que o cigarro eletrônico, muitas vezes visto como alternativa “mais segura”, pode ter impacto significativo no sistema cardiovascular, inclusive com concentrações elevadas de nicotina . Além disso, o aumento do uso de anabolizantes e outras substâncias também vem sendo associado ao crescimento dos casos em jovens, ampliando ainda mais o risco cardiovascular . Um processo silencioso e progressivo Um dos aspectos mais preocupantes do infarto em jovens é justamente o seu caráter silencioso. Diferente do que muitos imaginam, o evento agudo é apenas o desfecho de um processo que começa anos antes. A formação de placas nas artérias, a inflamação vascular e as alterações metabólicas evoluem de forma gradual, muitas vezes sem sintomas evidentes. Esse processo é agravado pelo fato de que muitos jovens não realizam acompanhamento médico regular. Como consequência, fatores de risco como hipertensão, colesterol elevado e resistência à insulina permanecem sem diagnóstico. Prevenção precoce: um novo paradigma necessário Diante desse cenário, a principal mudança não está apenas no tratamento mas na forma de encarar a prevenção. O infarto em jovens não é um evento isolado. Ele é o resultado de uma combinação de fatores que se acumulam ao longo do tempo. E, por isso, a prevenção precisa começar mais cedo. Isso envolve: Atenção aos sinais do corpo Avaliação periódica de fatores de risco Mudanças sustentáveis no estilo de vida E, principalmente, consciência de que saúde cardiovascular não tem idade  A cardiologia contemporânea caminha para uma abordagem cada vez mais preventiva e integrada. E talvez o maior desafio hoje não seja tratar o infarto, mas evitar que ele aconteça. Para ficar por dentro de mais conteúdos sobre saúde cardiovascular, acompanhe também nas redes sociais Instagram e Linkedin sempre com conteúdos atualizados, baseados em evidência e com uma abordagem acessível sobre o cuidado com o coração.
By Fernando Figueira April 11, 2026
O estresse sempre fez parte da experiência humana. Em sua forma aguda, ele é uma resposta adaptativa essencial para a sobrevivência. No entanto, na sociedade contemporânea, o estresse deixou de ser episódico e passou a ser contínuo, muitas vezes silencioso, normalizado e até valorizado. Esse cenário levanta uma questão cada vez mais presente na prática clínica: até que ponto o estresse crônico está contribuindo de forma direta para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares? Dados recentes reforçam essa preocupação. Segundo especialistas, o estresse prolongado está diretamente associado ao aumento do risco de infarto, hipertensão e arritmias, sendo considerado hoje um fator relevante na saúde do coração. Uma conexão que vai além do emocional Do ponto de vista fisiológico, o estresse ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e o sistema nervoso simpático. Essa resposta leva à liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. Em situações pontuais, esse mecanismo é protetor. O problema surge quando essa ativação se torna constante. Níveis elevados de cortisol ao longo do tempo estão associados a: Aumento da pressão arterial Inflamação sistêmica Disfunção endotelial Maior risco de formação de placas nas artérias De acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) , o estresse crônico tem impacto direto na regulação cardiovascular e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardíacas. Comportamentos que amplificam o risco O impacto do estresse não se limita aos mecanismos biológicos. Ele também influencia diretamente o comportamento e, consequentemente, o risco cardiovascular. Indivíduos sob estresse tendem a: Dormir pior Alimentar-se de forma mais desregulada Reduzir a prática de atividade física Aumentar o consumo de álcool ou outras substâncias Esse conjunto de fatores cria um ambiente propício para o desenvolvimento simultâneo de múltiplos riscos. Além disso, situações de estresse intenso podem desencadear condições como a síndrome de Takotsubo, conhecida como “síndrome do coração partido”, que simula um infarto e reforça a conexão entre emoção e coração, tema que já abordei de forma mais aprofundada neste artigo: https://www.drfernandofigueira.com.br/a-sindrome-de-takotsubo-uma-abordagem-cirurgica-diante-de-um-desafio-clinico-raro Um fator cada vez mais central na cardiologia Durante muito tempo, o estresse foi tratado como um fator secundário na cardiologia. Hoje, essa visão vem sendo revista. A combinação entre estresse crônico, privação de sono e estilo de vida moderno tem papel cada vez mais relevante no aumento das doenças cardiovasculares, essa mudança exige uma nova abordagem na prática médica: mais integrada, mais preventiva e mais atenta ao contexto de vida do paciente. Cuidar da rotina também é cuidar do coração  A prevenção cardiovascular contemporânea não pode se limitar ao controle de pressão arterial, colesterol e glicemia. É necessário ampliar o olhar. Cuidar do coração envolve também: Gestão do estresse Qualidade do sono Equilíbrio emocional Organização da rotina Mais do que tratar doenças, o desafio atual é compreender os fatores que as constroem ao longo do tempo.E, nesse contexto, o estresse deixa de ser apenas um coadjuvante e passa a ocupar um papel cada vez mais central.
By Fernando Figueira March 30, 2026
O sono é um dos pilares fundamentais da saúde, ao lado da alimentação e da atividade física. Ainda assim, permanece negligenciado na rotina da maioria das pessoas. Dados recentes mostram que dormir menos de 6 horas por noite está associado a um aumento significativo no risco de doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Segundo a World Health Organization , as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no mundo e fatores comportamentais, como o sono inadequado, desempenham papel central nesse cenário. O que acontece com o coração quando você dorme mal? Durante o sono, o organismo entra em um estado de regulação essencial para o sistema cardiovascular. Há redução da pressão arterial, desaceleração da frequência cardíaca e equilíbrio do sistema nervoso autônomo. Quando esse processo é interrompido, o corpo permanece em estado de alerta e os Principais impactos da privação de sono são: Aumento da pressão arterial Maior liberação de cortisol e adrenalina Inflamação sistêmica Disfunção endotelial Esses fatores, ao longo do tempo, contribuem diretamente para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Apneia do sono: um risco silencioso para o coração A apneia obstrutiva do sono é uma das condições mais relevantes quando falamos da relação entre sono e coração. Caracteriza-se por pausas na respiração durante o sono, levando à queda na oxigenação e microdespertares frequentes. Estima-se que uma parcela significativa dos pacientes com hipertensão resistente tenha apneia do sono não diagnosticada. Segundo a American Heart Association, a apneia está diretamente associada a: Hipertensão arterial, arritmias, insuficiência cardíaca, além do aumento do risco de infarto. Imagine um paciente de 48 anos, com sobrepeso, que relata cansaço constante e dificuldade de concentração. Ele associa os sintomas ao estresse do trabalho. Durante a consulta, surgem relatos de ronco intenso e pausas respiratórias durante a noite. O diagnóstico: apneia do sono. Após o tratamento adequado, há melhora não apenas do sono, mas também do controle da pressão arterial, um exemplo claro de como o sono impacta diretamente a saúde cardiovascular. Sono, metabolismo e estilo de vida Dormir mal não afeta apenas o coração de forma direta, ele altera todo o metabolismo. A privação de sono está associada a: Aumento do apetite Maior consumo de alimentos ultraprocessados Resistência à insulina Ganho de peso Esse conjunto de fatores contribui para o desenvolvimento da síndrome metabólica, um dos principais gatilhos para doenças cardiovasculares. Pequenas mudanças na rotina podem ter um impacto significativo na qualidade do sono e, consequentemente, na saúde cardiovascular. Manter horários regulares para dormir e acordar ajuda a regular o ritmo biológico do organismo, favorecendo um sono mais profundo e restaurador. Evitar o uso de telas antes de dormir também é fundamental, já que a exposição à luz azul interfere na produção de melatonina, hormônio essencial para o início do sono. Outro ponto importante é reduzir o consumo de cafeína no período da noite, uma vez que seu efeito estimulante pode dificultar o relaxamento necessário para adormecer. Além disso, criar um ambiente adequado, escuro, silencioso e confortável, contribui diretamente para a qualidade do sono. Por fim, é essencial buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes, como insônia, ronco intenso ou sonolência diurna, pois esses sinais podem indicar distúrbios que impactam diretamente o sistema cardiovascular.  O sono deve ser encarado como um verdadeiro marcador de saúde. Assim como a pressão arterial e os níveis de colesterol, ele precisa ser observado, valorizado e tratado quando necessário. Negligenciar a qualidade do sono é abrir espaço para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares ao longo do tempo. Por outro lado, cuidar do sono representa uma estratégia acessível, eficaz e amplamente respaldada por evidências científicas para a proteção do coração e para a promoção de uma vida mais saudável.
By Fernando Figueira March 30, 2026
O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino ou tumor de cólon e reto — está entre as doenças mais incidentes no mundo e representa uma das principais causas de mortalidade por câncer. Apesar disso, ainda existe um grande desafio em torno do diagnóstico precoce, especialmente em países em desenvolvimento. Dentro desse contexto, o Março Azul-Marinho surge como um importante movimento de conscientização sobre o câncer de intestino, chamando atenção para a prevenção, o rastreio e o diagnóstico precoce dessa doença. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina alertou para a relevância do tema ao destacar que o Brasil registrou cerca de 120 mil casos de câncer colorretal nos últimos três anos, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à informação e às estratégias de prevenção. Confira a notícia: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-alerta-para-prevencao-do-cancer-colorretal-que-atingiu-a-marca-de-120-mil-casos-em-tres-anos-no-brasil Mais do que uma condição localizada no sistema digestivo, o que discutimos ao longo do Março Azul-Marinho precisa ser compreendido dentro de um contexto mais amplo de saúde. Isso porque essa doença compartilha fatores de risco e mecanismos biológicos com outras condições crônicas, especialmente as doenças cardiovasculares. O elo entre câncer de intestino e doenças cardiovasculares Embora afetem órgãos diferentes, essas doenças frequentemente têm a mesma origem. Sedentarismo, obesidade, alimentação rica em ultraprocessados, tabagismo e consumo excessivo de álcool não atuam de forma isolada no organismo. Eles criam um ambiente sistêmico de inflamação crônica, que favorece tanto o desenvolvimento de tumores quanto a formação de placas de gordura nas artérias. Em outras palavras, o que compromete o intestino também compromete o coração. Fatores de risco em comum: Sedentarismo Obesidade Dieta inadequada Tabagismo Álcool em excesso Esse conjunto de fatores reforça uma visão cada vez mais consolidada na medicina: não estamos lidando com doenças isoladas, mas com diferentes manifestações de um mesmo desequilíbrio metabólico. Inflamação e metabolismo: o terreno comum A inflamação crônica de baixo grau é um dos principais pontos de convergência entre o câncer de intestino e as doenças cardiovasculares. Esse processo, muitas vezes silencioso, está associado ao acúmulo de gordura visceral, à resistência à insulina e a alterações no metabolismo celular. Com o tempo, ele favorece tanto a carcinogênese quanto a progressão da aterosclerose. Na prática clínica, isso significa que um paciente com síndrome metabólica, por exemplo, não está apenas em risco aumentado para infarto, ele também apresenta maior probabilidade de desenvolver neoplasias como o câncer de cólon e reto. Outro aspecto que merece atenção é o efeito do tratamento oncológico sobre o sistema cardiovascular. Com os avanços da medicina, a sobrevida dos pacientes com câncer aumentou significativamente. No entanto, isso trouxe à tona um novo desafio: as complicações cardiovasculares associadas às terapias utilizadas. Quimioterapia e radioterapia podem levar a alterações importantes, como disfunção ventricular, arritmias e até insuficiência cardíaca. Em alguns casos, há aceleração do processo aterosclerótico, aumentando o risco de eventos coronarianos ao longo do tempo. É nesse contexto que a cardio-oncologia ganha protagonismo, propondo um cuidado integrado desde o diagnóstico até o seguimento desses pacientes. A Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça a importância do acompanhamento cardiovascular em pacientes oncológicos, especialmente diante do aumento da sobrevida e da complexidade dos tratamentos. Na prática, essa relação é mais comum do que se imagina. Vamos pensar em uma paciente de 55 anos, diagnosticada com câncer de intestino em estágio inicial. Após um tratamento bem-sucedido, ela passa a apresentar cansaço progressivo e redução da capacidade funcional. Inicialmente, os sintomas podem ser atribuídos ao próprio tratamento ou ao processo de recuperação. No entanto, ao aprofundar a investigação, identifica-se uma disfunção cardíaca associada à terapêutica oncológica. Esse tipo de cenário reforça a necessidade de um olhar ampliado. Não basta tratar o tumor, é fundamental acompanhar o impacto sistêmico da doença e de seu tratamento. Prevenção integrada As mesmas estratégias que reduzem o risco discutido ao longo do Março Azul-Marinho também são fundamentais para a saúde cardiovascular. Isso inclui manter uma alimentação equilibrada, rica em fibras, praticar atividade física regularmente, controlar o peso e evitar o tabagismo. Além disso, o rastreio por meio da colonoscopia permite identificar lesões precoces, aumentando significativamente as chances de tratamento curativo. O Instituto Nacional de Câncer destaca que hábitos de vida saudáveis têm impacto direto na redução do risco de câncer de intestino e outras doenças crônicas. Essa abordagem integrada não apenas melhora os desfechos clínicos, mas também otimiza o cuidado como um todo. A medicina contemporânea exige uma visão cada vez mais sistêmica. O coração não responde apenas a fatores diretamente ligados a ele, mas a todo o contexto biológico e comportamental do paciente. O câncer de intestino, nesse sentido, não é uma condição distante da cardiologia, ele faz parte de um mesmo cenário de risco. Integrar essas perspectivas é essencial para oferecer um cuidado mais completo, mais preventivo e mais eficiente. Porque, no fim, cuidar de um sistema é, inevitavelmente, cuidar do outro.
By Fernando Figueira March 15, 2026
Receber a indicação de uma cirurgia cardíaca costuma gerar muitas dúvidas e uma das perguntas mais frequentes é bastante direta: “Doutor, quanto tempo vou viver depois da cirurgia?” A resposta depende de vários fatores, como a doença que levou ao procedimento, a idade do paciente, a presença de outras condições clínicas e, principalmente, os cuidados após o tratamento. A boa notícia é que os avanços na cirurgia cardiovascular nas últimas décadas fizeram com que os resultados fossem cada vez melhores. Hoje, muitos pacientes conseguem viver anos ou até décadas após determinados procedimentos, muitas vezes com boa qualidade de vida. Para entender melhor essa questão, vale olhar para alguns dos procedimentos cardíacos mais comuns e o que os estudos mostram sobre sobrevida. Cirurgia de revascularização do miocárdio (ponte de safena) A cirurgia de revascularização do miocárdio, conhecida popularmente como ponte de safena, é indicada para pacientes com obstrução das artérias coronárias, responsáveis por levar sangue ao músculo do coração. Durante o procedimento, o cirurgião cria um novo caminho para o sangue utilizando veias ou artérias do próprio paciente, permitindo que o fluxo sanguíneo volte a irrigar adequadamente o coração. Estudos de acompanhamento de longo prazo mostram resultados bastante positivos. Pesquisas clínicas demonstram que a sobrevida pode chegar a cerca de 86% após 5 anos e aproximadamente 48% após 15 anos, dependendo das características clínicas do paciente. Outro estudo clássico que acompanhou pacientes por mais de uma década mostrou taxas de sobrevida de até 89% em 10 anos em pacientes com doença coronariana menos extensa, evidenciando bons resultados quando o procedimento é realizado de forma adequada. Além disso, muitos pacientes relatam melhora significativa dos sintomas após a cirurgia, especialmente da angina (dor no peito). Entretanto, a cirurgia não elimina a doença aterosclerótica. Para que os benefícios sejam duradouros, é fundamental controlar fatores de risco como: colesterol elevado pressão alta diabetes tabagismo sedentarismo O sucesso da cirurgia está, portanto, diretamente ligado ao cuidado contínuo com a saúde cardiovascular. Cirurgia de troca ou reparo de válvulas cardíacas Outro procedimento relativamente comum é a cirurgia para tratar doenças das válvulas cardíacas, estruturas responsáveis por controlar o fluxo de sangue dentro do coração. Quando válvulas como a aórtica ou mitral apresentam estreitamento (estenose) ou falha no fechamento (insuficiência), podem surgir sintomas como cansaço, falta de ar e, em casos mais avançados, insuficiência cardíaca. Nessas situações, o tratamento pode envolver: Reparo da válvula, preservando sua estrutura original ou substituição por uma prótese valvar Estudos que acompanharam pacientes após esse tipo de cirurgia mostram que a sobrevida pode chegar a cerca de 84% após 10 anos em pacientes submetidos à troca da válvula aórtica, dependendo das condições clínicas iniciais. Além disso, as próteses valvares atuais apresentam boa durabilidade. As válvulas mecânicas, por exemplo, podem funcionar por várias décadas. Já as válvulas biológicas, feitas a partir de tecido animal, costumam ter uma durabilidade média entre 10 e 20 anos, variando conforme a idade do paciente. Quando o procedimento é realizado no momento adequado, a cirurgia costuma proporcionar melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida. Transplante cardíaco O transplante cardíaco é indicado para pacientes com insuficiência cardíaca avançada, quando outros tratamentos já não conseguem controlar a doença. Embora seja uma cirurgia complexa, os resultados atuais são bastante encorajadores. Dados internacionais mostram que aproximadamente 85% a 90% dos pacientes estão vivos um ano após o transplante, e cerca de 70% permanecem vivos após cinco anos, números que refletem os avanços no manejo cirúrgico e no tratamento imunossupressor. A sobrevida média após o transplante gira em torno de 10 a 12 anos, embora muitos pacientes ultrapassem esse período e consigam levar uma vida relativamente ativa. Além do procedimento em si, fatores como acompanhamento médico regular, adesão ao tratamento e hábitos saudáveis são essenciais para garantir bons resultados no longo prazo. O que realmente influencia a sobrevida após a cirurgia Independentemente do tipo de procedimento, alguns fatores têm grande impacto na evolução dos pacientes: controle adequado da pressão arterial níveis saudáveis de colesterol controle do diabetes prática regular de atividade física alimentação equilibrada acompanhamento médico contínuo A cirurgia cardíaca corrige um problema importante, mas o cuidado com o coração continua sendo necessário pelo resto da vida. Mais do que sobreviver: viver melhor Para muitas pessoas, a cirurgia cardíaca marca um momento de transformação. Não apenas porque resolve uma condição potencialmente grave, mas porque abre a oportunidade para uma nova fase de cuidados com a saúde. Com os avanços da medicina, cada vez mais pacientes conseguem não apenas viver mais, mas retomar atividades, trabalho e vida social após o tratamento. Em muitos casos, a cirurgia cardíaca não representa o fim de um caminho, mas sim o início de uma nova etapa na vida do paciente.
By Fernando Figueira March 12, 2026
O transplante cardíaco é um dos procedimentos mais complexos da medicina moderna. Ele é indicado principalmente para pacientes com insuficiência cardíaca avançada , quando medicamentos, dispositivos ou outras cirurgias já não conseguem controlar a doença. Quando essa indicação surge, uma das perguntas mais comuns feitas por pacientes e familiares é bastante direta: é possível ter uma vida normal após receber um novo coração? A resposta, na maioria dos casos, é sim, embora seja necessário manter alguns cuidados ao longo da vida. Graças aos avanços da cirurgia cardiovascular, do tratamento imunossupressor e do acompanhamento clínico, muitos pacientes transplantados conseguem retomar diversas atividades do cotidiano, como trabalhar, viajar e conviver socialmente. Quanto tempo vive uma pessoa após um transplante cardíaco? Os resultados do transplante cardíaco melhoraram significativamente nas últimas décadas. Dados clínicos mostram que aproximadamente 90% dos pacientes estão vivos um ano após o transplante, e cerca de 80% permanecem vivos após cinco anos, dependendo das condições clínicas do paciente e do acompanhamento médico. Esses números refletem os avanços da medicina, principalmente no controle da rejeição do órgão e na prevenção de complicações. Segundo informações do próprio Ministério da Saúde , a sobrevida após transplantes tem aumentado progressivamente com o aprimoramento das técnicas cirúrgicas e dos medicamentos utilizados no tratamento dos pacientes transplantados. Embora exista uma média de sobrevida observada em estudos clínicos, muitos pacientes conseguem viver bem por mais de uma década após o transplante, e alguns ultrapassam esse período com boa qualidade de vida. Como é a vida após o transplante? Após o transplante cardíaco, o paciente passa por um período inicial de recuperação e adaptação . Nos primeiros meses, o acompanhamento médico costuma ser mais frequente, pois é necessário monitorar possíveis sinais de rejeição e ajustar os medicamentos. Com o tempo, muitos pacientes conseguem retomar uma rotina relativamente ativa. De acordo com dados clínicos de acompanhamento de pacientes transplantados, mais de 90% dos pacientes que sobrevivem ao primeiro ano apresentam boa capacidade funcional, conseguindo realizar atividades do dia a dia e, em muitos casos, retornar ao trabalho. Entre as atividades que geralmente podem ser retomadas estão: Atividades profissionais (dependendo da ocupação) Exercícios físicos leves ou moderados Viagens Atividades sociais e familiares Naturalmente, cada caso é único e a recuperação pode variar de acordo com fatores como idade, outras doenças e a resposta do organismo ao transplante. Quais cuidados são necessários após o transplante? Apesar da melhora significativa na qualidade de vida, o transplante cardíaco exige acompanhamento médico permanente. O principal cuidado é o uso contínuo de medicamentos imunossupressores, que reduzem a atividade do sistema imunológico para evitar que o organismo ataque o novo coração. Além disso, os pacientes precisam realizar exames periódicos para monitorar: Sinais de rejeição do órgão Possíveis infecções Efeitos colaterais das medicações Funcionamento do coração transplantado Também é fundamental manter hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, controle da pressão arterial, prática de atividade física orientada e abandono do tabagismo. O transplante como uma segunda chance Para pacientes com insuficiência cardíaca avançada, o transplante cardíaco muitas vezes representa uma nova oportunidade de vida. Antes da cirurgia, atividades simples como caminhar pequenas distâncias ou subir escadas podem se tornar extremamente difíceis. Após o transplante, muitos pacientes recuperam parte importante da capacidade física e voltam a ter uma rotina mais ativa. Com os avanços da medicina e o acompanhamento adequado, cada vez mais pessoas conseguem viver mais tempo e com melhor qualidade de vida após o transplante. Em muitos casos, o transplante cardíaco não representa apenas um tratamento para uma doença grave, mas sim uma verdadeira segunda chance de continuar vivendo.
Médica e paciente mulher idosa
By Fernando Figueira February 28, 2026
A saúde do coração da mulher vai além da estatística. Descubra os fatores de risco exclusivos, o impacto da menopausa e a importância do diagnóstico precoce para o reparo de válvulas cardíacas.
By Fernando Figueira February 27, 2026
O coração funciona como uma bomba que impulsiona o sangue para todo o corpo. Para que esse fluxo aconteça na direção correta, ele conta com estruturas chamadas válvulas. Elas abrem e fecham a cada batimento, controlando a passagem do sangue entre as cavidades cardíacas. Duas dessas válvulas são especialmente importantes: a válvula mitral e a válvula tricúspide . Ambas ficam entre os átrios e os ventrículos, mas em lados diferentes do coração. A válvula mitral está localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Ela controla a passagem do sangue que vem dos pulmões para ser distribuído ao corpo. A válvula tricúspide fica entre o átrio direito e o ventrículo direito e regula o sangue que retorna do corpo para o coração. Quando essas válvulas funcionam bem, o sangue segue em um único sentido. Quando não funcionam corretamente, o coração passa a trabalhar com esforço maior. O que acontece quando a válvula não fecha bem O problema mais comum dessas válvulas é a insuficiência valvar , que ocorre quando elas não conseguem se fechar completamente. Nesse caso, parte do sangue “volta” para a câmara anterior, em vez de seguir adiante. Isso pode causar sintomas como: Falta de ar Cansaço aos esforços Inchaço nas pernas Palpitações Aumento do coração ao longo do tempo As causas são variadas e incluem envelhecimento da válvula, infecções, doenças reumáticas, alterações no músculo do coração e dilatação das cavidades cardíacas. Nem sempre a insuficiência precisa ser tratada com cirurgia imediatamente. Em fases iniciais, o acompanhamento clínico e o controle dos fatores de risco podem ser suficientes. Quando a alteração é mais importante ou provoca sintomas, a correção cirúrgica passa a ser indicada. Reparo ou substituição: qual é a diferença? Quando uma válvula precisa ser operada, existem duas possibilidades principais: 1. Reparo da válvula No reparo, o cirurgião corrige a válvula do próprio paciente, preservando sua estrutura natural. Isso pode envolver: Ajuste dos folhetos Correção de cordas tendíneas redução do anel da válvula Melhora do encaixe entre as partes da válvula O objetivo é fazer com que a válvula volte a fechar corretamente. 2. Substituição da válvula Na substituição, a válvula doente é retirada e colocada uma prótese no lugar. Essa prótese pode ser: Mecânica (feita de material sintético) Biológica (feita a partir de tecido animal) Cada tipo tem vantagens e desvantagens, que são avaliadas de acordo com a idade, o estilo de vida e as condições clínicas do paciente. Por que preservar a válvula é melhor sempre que possível Sempre que a anatomia permite, o reparo da válvula é preferível à sua substituição, pois mantém a estrutura natural do coração e preserva a forma como o sangue circula. Ao corrigir a própria válvula do paciente, é possível reduzir o risco de infecção, diminuir a necessidade de uso prolongado de anticoagulantes e, na maioria dos casos, obter melhor desempenho a longo prazo. Além disso, o coração se adapta melhor quando sua própria válvula é preservada, já que reconhece com mais facilidade seus tecidos naturais do que uma prótese artificial. Ainda assim, nem todas as válvulas podem ser reparadas. Em situações em que há destruição importante da válvula, calcificação avançada ou infecção grave, a substituição por uma prótese passa a ser a opção mais segura e eficaz. A importância do momento certo da cirurgia Outro aspecto central no tratamento das doenças valvares é definir o momento adequado para a cirurgia. Intervir cedo demais pode expor o paciente a riscos desnecessários, enquanto esperar tempo demais pode reduzir as chances de reparo e comprometer de forma definitiva o funcionamento do coração. Por isso, o acompanhamento regular com exames como o ecocardiograma é fundamental para avaliar se a válvula ainda pode ser corrigida, se o coração já apresenta sinais de sobrecarga e qual é o melhor momento para intervir. O objetivo é realizar o tratamento antes que ocorram danos permanentes ao músculo cardíaco, preservando a função do coração e a qualidade de vida do paciente. Informação também faz parte do tratamento Entender o que são as válvulas, por que elas adoecem e quais são as opções de tratamento ajuda o paciente a participar de forma mais consciente das decisões sobre sua própria saúde. Reparo e substituição não são escolhas aleatórias, mas estratégias diferentes para um mesmo objetivo: restaurar o bom funcionamento do coração e melhorar a qualidade de vida. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente. Mas uma coisa é certa: quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de uma correção mais simples, mais segura e mais preservadora. Se você quer receber mais conteúdos sobre doenças das válvulas cardíacas, cirurgias e cuidados com o coração, acompanhe meus perfis no Instagram e no LinkedIn .
By Fernando Figueira February 13, 2026
O Carnaval é um dos períodos do ano em que o corpo humano é colocado à prova. Horas em pé, caminhadas longas atrás dos blocos, calor intenso, pouco sono e, muitas vezes, consumo elevado de bebidas alcoólicas. Para o sistema cardiovascular, esse conjunto de fatores representa um desafio fisiológico importante, especialmente para quem já possui fatores de risco como hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico familiar de doença cardíaca. Do ponto de vista médico, o coração precisa se adaptar rapidamente a um aumento súbito de demanda. A frequência cardíaca se eleva, a pressão arterial oscila e o organismo precisa redistribuir o fluxo sanguíneo para músculos e pele, a fim de manter o equilíbrio térmico. Em pessoas saudáveis, esse processo tende a ocorrer de forma eficiente. Já em indivíduos com doença arterial coronariana silenciosa, podem surgir sintomas como dor no peito, falta de ar ou palpitações. Dentro desse cenário, compreender os fatores de risco cardiovasculares é essencial para diferenciar o que é adaptação normal do que pode indicar um problema maior. Muitas pessoas descobrem alterações cardíacas justamente em períodos de esforço fora da rotina habitual. O impacto do álcool e da privação de sono O consumo excessivo de álcool durante festas prolongadas pode desencadear alterações no ritmo cardíaco. Existe, inclusive, um termo conhecido como “síndrome do coração festivo”, associado a episódios de fibrilação atrial após ingestão alcoólica intensa. Além disso, a privação de sono interfere diretamente no controle da pressão arterial e na liberação de hormônios relacionados ao estresse. Esses fatores combinados aumentam a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular, favorecendo o surgimento de arritmias cardíacas e, em casos mais graves, eventos como infarto e AVC. Tecnologia como aliada do autocuidado Nos últimos anos, a popularização dos dispositivos vestíveis transformou a relação das pessoas com o próprio corpo. Relógios inteligentes capazes de monitorar frequência cardíaca, ritmo e nível de atividade física passaram a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Esses dados, quando interpretados corretamente, podem ajudar na identificação precoce de alterações relevantes. Associados à telemedicina, esses recursos permitem avaliações remotas, orientações rápidas e até encaminhamentos mais precoces para atendimento presencial. A tecnologia não substitui o médico, mas amplia a capacidade de vigilância sobre o próprio organismo, especialmente em períodos de maior esforço físico. Carnaval como oportunidade de educação em saúde Grandes eventos também são espaços estratégicos para ações educativas. Orientações simples como hidratação frequente, pausas para descanso, alimentação adequada e reconhecimento de sinais de alerta fazem diferença real na prevenção de complicações. A educação em saúde baseada em evidências científicas tem impacto direto na redução da mortalidade cardiovascular. Quando as pessoas sabem reconhecer sintomas como dor torácica persistente, falta de ar desproporcional ou tontura, a busca por atendimento acontece de forma mais rápida, reduzindo danos. No Brasil, períodos de grande concentração populacional exigem planejamento dos serviços de saúde. A ampliação da rede de urgência, o reforço de equipes e a integração entre hospitais, UPAs e o atendimento pré-hospitalar fazem parte das estratégias adotadas em datas festivas. A combinação entre ciência, tecnologia e políticas públicas permite que a população aproveite o Carnaval com mais segurança. O coração não precisa ficar de fora da folia, mas precisa ser respeitado dentro dos seus limites. Cuidar da saúde cardiovascular não é um projeto sazonal. É uma construção diária que se reflete na qualidade de vida e na longevidade. A festa passa, mas o coração continua trabalhando todos os dias.