Válvula mitral e tricúspide como funcionam e quando operar
O coração funciona como uma bomba que impulsiona o sangue para todo o corpo. Para que esse fluxo aconteça na direção correta, ele conta com estruturas chamadas válvulas. Elas abrem e fecham a cada batimento, controlando a passagem do sangue entre as cavidades cardíacas.
Duas dessas válvulas são especialmente importantes: a válvula mitral e a válvula tricúspide. Ambas ficam entre os átrios e os ventrículos, mas em lados diferentes do coração.
A válvula mitral está localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Ela controla a passagem do sangue que vem dos pulmões para ser distribuído ao corpo.
A válvula tricúspide fica entre o átrio direito e o ventrículo direito e regula o sangue que retorna do corpo para o coração.
Quando essas válvulas funcionam bem, o sangue segue em um único sentido. Quando não funcionam corretamente, o coração passa a trabalhar com esforço maior.
O que acontece quando a válvula não fecha bem
O problema mais comum dessas válvulas é a insuficiência valvar, que ocorre quando elas não conseguem se fechar completamente. Nesse caso, parte do sangue “volta” para a câmara anterior, em vez de seguir adiante.
Isso pode causar sintomas como:
- Falta de ar
- Cansaço aos esforços
- Inchaço nas pernas
- Palpitações
- Aumento do coração ao longo do tempo
As causas são variadas e incluem envelhecimento da válvula, infecções, doenças reumáticas, alterações no músculo do coração e dilatação das cavidades cardíacas.
Nem sempre a insuficiência precisa ser tratada com cirurgia imediatamente. Em fases iniciais, o acompanhamento clínico e o controle dos fatores de risco podem ser suficientes. Quando a alteração é mais importante ou provoca sintomas, a correção cirúrgica passa a ser indicada.
Reparo ou substituição: qual é a diferença?
Quando uma válvula precisa ser operada, existem duas possibilidades principais:
1. Reparo da válvula
No reparo, o cirurgião corrige a válvula do próprio paciente, preservando sua estrutura natural.
Isso pode envolver:
- Ajuste dos folhetos
- Correção de cordas tendíneas
- redução do anel da válvula
- Melhora do encaixe entre as partes da válvula
O objetivo é fazer com que a válvula volte a fechar corretamente.
2. Substituição da válvula
Na substituição, a válvula doente é retirada e colocada uma prótese no lugar. Essa prótese pode ser:
- Mecânica (feita de material sintético)
- Biológica (feita a partir de tecido animal)
Cada tipo tem vantagens e desvantagens, que são avaliadas de acordo com a idade, o estilo de vida e as condições clínicas do paciente.
Por que preservar a válvula é melhor sempre que possível
Sempre que a anatomia permite, o reparo da válvula é preferível à sua substituição, pois mantém a estrutura natural do coração e preserva a forma como o sangue circula. Ao corrigir a própria válvula do paciente, é possível reduzir o risco de infecção, diminuir a necessidade de uso prolongado de anticoagulantes e, na maioria dos casos, obter melhor desempenho a longo prazo. Além disso, o coração se adapta melhor quando sua própria válvula é preservada, já que reconhece com mais facilidade seus tecidos naturais do que uma prótese artificial. Ainda assim, nem todas as válvulas podem ser reparadas. Em situações em que há destruição importante da válvula, calcificação avançada ou infecção grave, a substituição por uma prótese passa a ser a opção mais segura e eficaz.
A importância do momento certo da cirurgia
Outro aspecto central no tratamento das doenças valvares é definir o momento adequado para a cirurgia. Intervir cedo demais pode expor o paciente a riscos desnecessários, enquanto esperar tempo demais pode reduzir as chances de reparo e comprometer de forma definitiva o funcionamento do coração. Por isso, o acompanhamento regular com exames como o ecocardiograma é fundamental para avaliar se a válvula ainda pode ser corrigida, se o coração já apresenta sinais de sobrecarga e qual é o melhor momento para intervir. O objetivo é realizar o tratamento antes que ocorram danos permanentes ao músculo cardíaco, preservando a função do coração e a qualidade de vida do paciente.
Informação também faz parte do tratamento
Entender o que são as válvulas, por que elas adoecem e quais são as opções de tratamento ajuda o paciente a participar de forma mais consciente das decisões sobre sua própria saúde.
Reparo e substituição não são escolhas aleatórias, mas estratégias diferentes para um mesmo objetivo: restaurar o bom funcionamento do coração e melhorar a qualidade de vida.
Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente. Mas uma coisa é certa: quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de uma correção mais simples, mais segura e mais preservadora.
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