Como proteger o coração durante o tratamento do câncer de mama
O Outubro Rosa é um período importante para ampliar as conversas sobre o câncer de mama, desde a prevenção e o diagnóstico precoce até os cuidados durante e depois do tratamento. Nesse contexto, existe um aspecto da saúde da mulher que merece atenção: os possíveis efeitos de alguns tratamentos oncológicos sobre o coração.
A cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e as terapias direcionadas podem fazer parte do tratamento do câncer de mama, conforme as características da doença e as necessidades de cada paciente. Embora esses recursos sejam fundamentais no combate ao tumor, determinados medicamentos e tratamentos podem provocar alterações cardiovasculares, o que torna importante avaliar a saúde do coração ao longo dessa jornada.
Isso não significa que toda mulher com câncer de mama desenvolverá um problema cardíaco. O risco depende de fatores como o tratamento utilizado, as condições clínicas anteriores e a resposta individual. Por isso, o acompanhamento médico deve considerar a saúde da paciente de maneira integral.
Como o tratamento do câncer de mama pode afetar o coração?
Alguns medicamentos utilizados no tratamento do câncer de mama podem interferir no funcionamento do músculo cardíaco. Entre eles estão determinadas antraciclinas, uma classe de quimioterápicos, e medicamentos direcionados contra a proteína HER2, como o trastuzumabe.
Em algumas pacientes, essas terapias podem provocar uma redução da capacidade de bombeamento do coração. Também podem ocorrer alterações da pressão arterial e, dependendo do tratamento, outros efeitos cardiovasculares. A radioterapia na região do tórax merece atenção pelo possível impacto sobre estruturas próximas ao campo irradiado.
Esses efeitos não acontecem com todas as pacientes e podem variar em intensidade. Por isso, a escolha do tratamento oncológico considera os benefícios esperados e os riscos envolvidos, com estratégias de acompanhamento adequadas a cada situação.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) explica que a abordagem do câncer de mama depende de fatores como o estágio da doença e suas características biológicas. Essa individualização também é importante quando se avalia a necessidade de cuidados cardiovasculares durante o tratamento.
Por que acompanhar a saúde cardiovascular durante o tratamento?
A avaliação do coração pode começar antes mesmo da primeira etapa do tratamento oncológico. O médico considera o histórico clínico, os medicamentos que serão utilizados e a presença de condições que possam aumentar o risco cardiovascular. Conforme o caso, podem ser indicados exames como o eletrocardiograma e o ecocardiograma, que permite avaliar a estrutura e o funcionamento do coração. Durante o tratamento, a necessidade e a frequência desses exames dependem do risco individual e do protocolo terapêutico.
Esse acompanhamento ajuda a identificar alterações precocemente e permite que a equipe avalie a melhor conduta. Em determinadas situações, o tratamento cardiovascular pode ser iniciado ou ajustado para proteger a função cardíaca. A chamada cardio-oncologia é a área dedicada à relação entre o câncer, seus tratamentos e a saúde cardiovascular. A colaboração entre oncologistas e profissionais especializados em cardiologia pode contribuir para decisões mais seguras, especialmente quando a paciente apresenta fatores de risco ou precisa utilizar medicamentos com potencial de afetar o coração.
O cuidado com o coração continua depois do câncer
O fim do tratamento oncológico não significa que todos os cuidados relacionados à saúde cardiovascular possam ser encerrados. Algumas alterações podem surgir meses ou anos depois, dependendo da terapia recebida e das características de cada paciente. Por isso, o histórico de tratamento do câncer deve fazer parte do acompanhamento médico ao longo da vida. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física de acordo com a orientação profissional, evitar o tabagismo e acompanhar condições como diabetes e pressão alta são medidas que ajudam a cuidar da saúde cardiovascular. A necessidade de exames específicos após o tratamento deve ser definida individualmente.
A American Heart Association reúne informações sobre a relação entre o câncer, seus tratamentos e as doenças cardiovasculares, reforçando a importância de reconhecer e acompanhar possíveis efeitos sobre o coração. O Outubro Rosa também é uma oportunidade para lembrar que o cuidado com a mulher envolve diferentes aspectos da saúde. O tratamento do câncer de mama deve seguir as necessidades de cada paciente, com atenção tanto à eficácia contra a doença quanto à preservação da qualidade de vida.
Quando existe indicação de acompanhamento cardiovascular, a avaliação especializada permite identificar riscos, orientar a realização de exames e definir estratégias adequadas para cada fase do tratamento. Essa integração ajuda a cuidar do coração sem perder de vista o objetivo principal: oferecer à paciente o tratamento oncológico mais apropriado para sua condição.










