Setembro Vermelho: escolhas que fazem diferença para o coração
Setembro é marcado por campanhas que chamam a atenção para a saúde cardiovascular. O chamado Setembro Vermelho busca ampliar a conversa sobre prevenção e lembrar que cuidar do coração não depende apenas de consultas ou de exames, mas também das escolhas e dos cuidados que fazem parte da rotina.
As doenças cardiovasculares estão relacionadas a diferentes fatores de risco. Alguns não podem ser modificados, como idade e histórico familiar. Outros, porém, estão diretamente ligados ao estilo de vida e podem ser acompanhados e controlados ao longo dos anos. É o caso da hipertensão arterial, do diabetes, do tabagismo, da inatividade física, da alimentação inadequada e do excesso de peso. O próprio Ministério da Saúde destaca que boa parte dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis pode ser modificada, incluindo tabagismo, alimentação não saudável, obesidade e falta de atividade física. Por isso, falar sobre saúde do coração é também falar sobre hábitos, acompanhamento e prevenção.
Pressão alta merece atenção mesmo quando não incomoda
Entre os fatores de risco cardiovasculares, a hipertensão arterial ocupa um lugar importante. A pressão alta aumenta o esforço realizado pelo coração e está associada a complicações como acidente vascular cerebral, doença cardíaca e insuficiência renal. Um dos desafios está justamente no fato de que a hipertensão pode permanecer sem sintomas durante muito tempo. Segundo o Ministério da Saúde, medir a pressão regularmente é a única maneira de identificar a doença. O acompanhamento também permite avaliar se as medidas adotadas para controlá-la estão funcionando.
Isso não significa que toda pessoa precise viver em função da pressão arterial ou de exames. Significa entender que alguns cuidados simples fazem parte da prevenção e podem ajudar a identificar alterações antes que elas provoquem complicações. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, redução do consumo de sal, abandono do cigarro e acompanhamento adequado de doenças como diabetes estão entre as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde para prevenção e controle da hipertensão. A página específica sobre prevenção da hipertensão reúne essas orientações de maneira prática.
O coração também sente a rotina
A saúde cardiovascular não depende de uma única escolha. É o resultado de um conjunto de fatores que se acumulam ao longo do tempo. Passar muitas horas sentado, ter uma alimentação baseada frequentemente em produtos ultraprocessados, fumar, consumir álcool em excesso, dormir mal ou conviver com níveis elevados de estresse são situações que podem fazer parte da rotina de muitas pessoas. Isoladamente, elas não contam toda a história, mas, quando se somam a outros fatores de risco, podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) destaca entre os fatores de risco cardiovasculares o sedentarismo, o tabagismo, o estresse, além de alterações relacionadas à pressão arterial, ao peso, à alimentação e ao metabolismo. O objetivo da prevenção não é buscar uma rotina perfeita. É construir mudanças possíveis e sustentáveis. Para quem é sedentário, por exemplo, começar a se movimentar mais já representa uma mudança importante. Para quem fuma, buscar ajuda para parar de fumar pode ser uma das decisões mais relevantes para a saúde cardiovascular. Para quem tem hipertensão ou diabetes, seguir o tratamento e manter o acompanhamento são formas concretas de reduzir riscos. É nesse sentido que a prevenção deve ser entendida: não como uma cobrança, mas como uma oportunidade de cuidar da saúde de maneira contínua.
Prevenção também é acompanhamento
Outro ponto importante é não esperar que exista algum desconforto para começar a prestar atenção à saúde cardiovascular. A avaliação médica pode ajudar a identificar fatores de risco, interpretar exames quando eles forem necessários e definir estratégias de acompanhamento de acordo com a idade, o histórico familiar e as condições de saúde de cada pessoa. Essa abordagem também faz parte da organização da assistência cardiovascular no SUS. O Ministério da Saúde mantém uma Plataforma de Linhas de Cuidado que reúne orientações relacionadas a hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo, acidente vascular cerebral e outras condições cardiovasculares. A página foi atualizada em março de 2026.
A prevenção, portanto, não acontece apenas em setembro. O mês serve como um momento para reforçar uma conversa que precisa continuar durante todo o ano. Cuidar do coração envolve conhecer os próprios fatores de risco, manter hábitos mais saudáveis, acompanhar condições que já existem e procurar atendimento quando necessário. Pequenas mudanças feitas de maneira consistente podem ter mais importância do que decisões radicais que não conseguem ser mantidas.
O Setembro Vermelho é, acima de tudo, um convite para olhar para a saúde cardiovascular com mais atenção. Não apenas quando surge um problema, mas também enquanto estamos bem e temos a oportunidade de preservar essa condição. Porque cuidar do coração não é uma tarefa para um único mês. É uma construção que acontece ao longo da vida.










