Setembro Verde reforça a importância da doação de órgãos para salvar vidas
Setembro é marcado no Brasil por uma mobilização importante para a saúde pública, o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. O tema ganha ainda mais relevância diante da dimensão que os transplantes alcançaram no país e do trabalho realizado diariamente por profissionais, hospitais e equipes especializadas para transformar uma doação em uma nova oportunidade de vida.
Em 2025, o Brasil registrou um recorde histórico, com 31 mil transplantes realizados, número 21% superior ao registrado em 2022, quando foram realizados 25,6 mil procedimentos. O resultado está relacionado ao fortalecimento da logística do Sistema Nacional de Transplantes, à ampliação da distribuição interestadual de órgãos e ao crescimento da capacidade das equipes de captação e transplante.
O dado mostra a dimensão de uma rede que envolve muito mais do que o momento da cirurgia. Existe todo um sistema organizado para identificar potenciais doadores, acolher as famílias, realizar a captação, avaliar a compatibilidade, transportar os órgãos e garantir que o paciente receptor tenha acompanhamento antes e depois do transplante.
Um único gesto pode beneficiar diferentes pacientes
Os transplantes realizados no Brasil envolvem diferentes órgãos e tecidos. Em 2025, foram realizados 17.790 transplantes de córnea, 6.697 de rim, 3.993 de medula óssea, 2.573 de fígado e 427 de coração. No caso do transplante cardíaco, a doação pode representar uma nova possibilidade para pessoas com doenças cardíacas graves, especialmente em situações nas quais os tratamentos disponíveis já não conseguem oferecer uma resposta adequada. É um procedimento de alta complexidade que depende de uma rede preparada e, principalmente, da existência de um órgão compatível no momento necessário.
Mas a importância da doação vai muito além do coração. Rins, fígado, pulmões, pâncreas, córneas e outros tecidos também podem ser destinados a pacientes que aguardam por um transplante. O SUS participa de todas essas etapas e oferece assistência integral aos pacientes transplantados, incluindo avaliação, cirurgia, acompanhamento e medicamentos necessários no período posterior ao procedimento. Em 2025, cerca de 86% dos transplantes realizados no país foram financiados pelo SUS, reforçando o papel da rede pública na garantia desse tratamento.
A conversa com a família também faz parte da doação
Um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes continua sendo a autorização familiar. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2026, cerca de 45% das famílias ainda não autorizam a doação de órgãos quando a possibilidade é apresentada. Esse é um momento naturalmente difícil. A decisão acontece em meio ao luto e exige acolhimento, informação e respeito. Por isso, existe uma atitude simples que pode fazer diferença: conversar previamente com a família sobre o desejo de ser doador.
No Brasil, a manifestação de vontade durante a vida não substitui a autorização familiar. É a família quem autoriza a doação após a morte. Por isso, falar sobre o assunto antes que uma situação como essa aconteça ajuda a tornar a decisão mais clara em um momento de grande impacto emocional.
Uma rede que transforma solidariedade em cuidado
Para que um órgão chegue a quem precisa, existe uma estrutura que funciona de maneira integrada em diferentes regiões do país. Em 2025, a distribuição interestadual coordenada pela Central Nacional de Transplantes viabilizou, por exemplo, 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas.
A logística é especialmente importante para órgãos mais sensíveis ao tempo de isquemia. Por isso, o transporte precisa ser rápido e coordenado. Em 2025, foram realizados 4.808 voos relacionados ao transporte de órgãos e equipes de captação e transplante, segundo o Ministério da Saúde.
O Setembro Verde é, portanto, um convite à informação e à conversa. Para quem trabalha com saúde, cada transplante representa a integração de uma grande rede de cuidado. Para quem está fora dela, a participação começa com uma atitude simples: conversar com a família e deixar claro o desejo de doar. A doação não elimina a dor de uma perda, mas pode permitir que, em meio a ela, outra pessoa tenha a oportunidade de continuar vivendo.










