Apneia do sono pode afetar o coração? Entenda a relação
Você dorme, mas seu coração não descansa
Roncar durante a noite costuma ser tratado como algo banal. Em muitos casos, pode não representar um problema de saúde. Mas quando o ronco vem acompanhado de pausas na respiração, engasgos, despertares frequentes ou sonolência durante o dia, pode haver algo mais importante por trás: a apneia obstrutiva do sono.
Na apneia, as vias respiratórias superiores sofrem episódios repetidos de obstrução durante o sono, interrompendo temporariamente a passagem de ar. Essas interrupções podem provocar quedas na oxigenação e fragmentar o sono, fazendo com que o organismo reaja diversas vezes ao longo da noite. Entenda como funciona a apneia obstrutiva do sono, seus principais sintomas e formas de diagnóstico.
Esse processo não afeta apenas a qualidade do descanso. A repetição dos episódios respiratórios pode provocar alterações na pressão arterial e na atividade do sistema nervoso, aumentando a sobrecarga sobre o organismo.
O que a apneia tem a ver com o coração
A relação entre sono e saúde cardiovascular vem sendo cada vez mais estudada. A apneia obstrutiva do sono está associada a condições como hipertensão arterial, arritmias, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral. A American Heart Association destaca que a condição é frequente entre pessoas que já apresentam doenças cardiovasculares e, muitas vezes, permanece sem diagnóstico.
Uma das possíveis explicações está justamente no que acontece durante as pausas respiratórias. A redução intermitente do oxigênio e os repetidos despertares provocam respostas do organismo que podem elevar a pressão e a frequência cardíaca. Quando isso acontece noite após noite, a exposição contínua a essas alterações pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de fatores de risco cardiovasculares. A fibrilação atrial é um dos problemas que merece atenção. A relação entre as duas condições tem sido investigada em diferentes estudos, e a apneia é considerada um dos fatores associados a essa alteração do ritmo cardíaco.
Isso não significa que toda pessoa com apneia desenvolverá uma doença cardíaca. A relação é complexa e envolve outros fatores individuais. O ponto importante é reconhecer que um distúrbio do sono pode ter repercussões que vão muito além da noite mal dormida.
Quando o ronco merece atenção
Nem todo ronco significa apneia do sono. O que deve chamar atenção é a presença de outros sinais. Pausas percebidas na respiração durante a noite, engasgos ou suspiros ao dormir, sono fragmentado, boca seca ao acordar, dor de cabeça pela manhã e sonolência excessiva durante o dia podem indicar que o sono não está sendo reparador.
Muitas pessoas, porém, não percebem as próprias interrupções respiratórias. Em alguns casos, quem dorme ao lado é a primeira pessoa a notar que o ronco é acompanhado por períodos de silêncio e, em seguida, por um esforço para voltar a respirar.
Quando existe suspeita, é importante procurar avaliação médica. O diagnóstico pode envolver exames específicos do sono, como a polissonografia ou testes realizados em casa, dependendo da avaliação clínica. O Manual MSD explica como a apneia é investigada e diagnosticada, incluindo os diferentes tipos de exames utilizados.
Cuidar do sono também é cuidar do coração
Dormir bem não significa apenas passar uma determinada quantidade de horas na cama. A qualidade e a continuidade do sono também fazem parte da saúde. Em uma declaração científica publicada em 2025, a American Heart Association reforçou a relação entre diferentes dimensões da saúde do sono e fatores de risco cardiometabólicos, incluindo hipertensão e doenças cardiovasculares. Leia a publicação da American Heart Association sobre sono e saúde cardiovascular.
Por isso, investigar uma possível apneia não significa apenas buscar uma noite de sono melhor. Significa identificar uma condição que pode estar interferindo na qualidade do descanso e que também está relacionada a importantes fatores de risco cardiovascular.
A apneia obstrutiva do sono pode ser tratada, e a escolha da abordagem depende da causa e da gravidade de cada caso. Mudanças no estilo de vida, dispositivos de pressão positiva, aparelhos intraorais e outras estratégias podem fazer parte do tratamento, sempre de acordo com a avaliação médica.
Prestar atenção à qualidade do sono é, portanto, uma forma de ampliar o olhar sobre a prevenção cardiovascular. Nem sempre os sinais de que o organismo está sendo sobrecarregado aparecem durante o dia. Em algumas pessoas, eles podem estar acontecendo silenciosamente enquanto dormem.










