Calor extremo e coração: por que as altas temperaturas aumentam o risco cardiovascular
As ondas de calor têm se tornado cada vez mais frequentes e intensas no Brasil, reflexo direto das mudanças climáticas e da urbanização acelerada. Esse cenário deixou de ser apenas um problema ambiental e passou a representar um importante desafio para a saúde pública, com impacto direto sobre o sistema cardiovascular. O coração, responsável por garantir a circulação adequada de sangue e oxigênio para todo o organismo, é especialmente sensível às altas temperaturas.
De acordo com o Ministério da Saúde, eventos climáticos extremos, como o calor excessivo, estão associados ao aumento de agravos à saúde, especialmente entre idosos, pessoas com doenças crônicas e populações socialmente vulneráveis.
O impacto do calor em quem já tem doença do coração
Quando a temperatura ambiente se eleva, o corpo ativa mecanismos para manter o equilíbrio térmico. O principal deles é a vasodilatação periférica, que aumenta o fluxo sanguíneo para a pele e facilita a perda de calor. Para sustentar a pressão arterial e a perfusão dos órgãos vitais, o coração precisa aumentar sua frequência e intensidade de contração.
Esse aumento da sobrecarga cardíaca pode não trazer consequências relevantes para indivíduos saudáveis. No entanto, em pessoas com doenças cardiovasculares, o esforço adicional imposto pelo calor pode desencadear descompensações clínicas importantes, exigindo maior atenção e acompanhamento médico.
Pacientes com insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, hipertensão ou histórico de infarto constituem um grupo de maior risco durante períodos de calor intenso. Na insuficiência cardíaca, por exemplo, o coração já apresenta dificuldade em atender às demandas do organismo. O estresse térmico pode levar à piora dos sintomas, como falta de ar, inchaço e cansaço excessivo, aumentando o risco de internações.
No caso da doença arterial coronariana, o aumento da frequência cardíaca eleva o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco, enquanto a queda da pressão arterial pode comprometer a perfusão das artérias coronárias. Esse desequilíbrio favorece episódios de isquemia e aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio.
Pressão arterial, arritmias e calor extremo
As altas temperaturas também influenciam diretamente o controle da pressão arterial. A vasodilatação pode provocar quedas abruptas da pressão, causando tonturas, fraqueza e até desmaios, principalmente ao se levantar rapidamente. Em contrapartida, o estresse térmico pode desencadear alterações no sistema nervoso autônomo, favorecendo o surgimento de arritmias cardíacas.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta que episódios de calor extremo estão associados ao aumento de eventos cardiovasculares agudos, reforçando a necessidade de atenção redobrada durante esses períodos.
Outro fator crítico associado ao calor extremo é a desidratação. A perda intensa de líquidos e eletrólitos pelo suor, quando não compensada adequadamente, reduz o volume sanguíneo e aumenta a viscosidade do sangue. Esse processo dificulta a circulação e eleva o risco de formação de trombos, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovasculares.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a desidratação em períodos de calor intenso pode agravar doenças cardiovasculares e interferir no efeito de medicamentos de uso contínuo, como diuréticos e anti-hipertensivos.
Evidências científicas e dados no Brasil
Estudos epidemiológicos mostram que há aumento de internações e mortalidade cardiovascular durante ondas de calor. O próprio Ministério da Saúde reconhece que eventos climáticos extremos impactam diretamente o sistema de saúde, exigindo estratégias de prevenção, vigilância e educação em saúde.
Esses efeitos tendem a ser mais intensos em regiões urbanas densamente povoadas, onde o fenômeno das “ilhas de calor” agrava ainda mais a exposição da população às altas temperaturas.
Diante desse cenário, algumas medidas simples são fundamentais para reduzir os riscos cardiovasculares. Manter uma hidratação adequada ao longo do dia, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes, adaptar a prática de atividades físicas e reconhecer sinais de alerta, como falta de ar, palpitações e tonturas, são atitudes essenciais.
Pacientes com doenças cardiovasculares devem manter acompanhamento médico regular e jamais suspender ou alterar o uso de medicamentos sem orientação profissional.
Um novo olhar para a cardiologia em tempos de mudança climática
O aumento das temperaturas globais impõe um novo desafio à cardiologia contemporânea. Cuidar do coração hoje exige não apenas o controle dos fatores de risco tradicionais, mas também a compreensão de como o ambiente influencia diretamente a saúde cardiovascular. Reconhecer o calor extremo como um fator de risco é essencial para fortalecer estratégias de prevenção, educação em saúde e promoção da qualidade de vida.
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